Sobre a Coalizão

Como membros de parlamentos ao redor do mundo, representamos milhões de cidadãos e nos unimos para formar uma coalizão interparlamentar. Nosso objetivo comum é agir em nossos respectivos países para contribuir com o combate à poluição por plásticos.

O plástico: o material que invadiu nossas vidas

 

O plástico está presente em todos os aspectos do nosso cotidiano. Usamos por ser algo prático e confortável. Ele está presente em embalagens, roupas, instrumentos médicos e muitos outros objetos do cotidiano.

Sua popularidade deriva de suas qualidades excepcionais: é leve, resistente, acessível e pode assumir qualquer forma ou cor. Poucos materiais oferecem tantas vantagens ao mesmo tempo.

Hoje, nossa dependência do plástico é inegável. Em média, cada pessoa no mundo utiliza 50 quilos de plástico por ano. Em 2020, a produção global atingiu 460 milhões de toneladas, e esse número pode dobrar até 2060. Trata-se de uma trajetória extremamente preocupante, especialmente considerando que mais de 80% dos plásticos tornam-se resíduos em menos de um ano.

O aumento dramático do consumo de plásticos causa danos ambientais em todas as etapas do ciclo de vida desse material. Desde a produção dos grânulos de plástico usados na indústria, passando pela gestão insuficiente de resíduos, até o consumo cotidiano de objetos de plástico. Em todas as fases, microplásticos e poluentes acabam indo parar na natureza.

Poluição por plástico: uma ameaça global sem fronteiras

Os objetos de plásticos vão parar no meio ambiente e causam tanto poluição visível – como os resíduos espalhados pelas praias – quanto uma poluição invisível – como os microplásticos presentes no ar que respiramos e na água que bebemos. Um enorme número de estudos científicos demonstra que o plástico agora é encontrado no mundo todo: do topo da montanha mais alta até as profundezas dos oceanos, em rios, solos, na atmosfera e até dentro dos organismos vivos.

A humanidade parece estar atônita diante da dimensão dessa poluição, que está diretamente ligada aos nossos estilos de vida e hábitos de consumo. Ao longo das costas, grânulos de plástico perdidos no mar acabam chegando às nossas praias. Animais marinhos, como golfinhos e aves marinhas, ficam presos em redes ou ingerem detritos. Paisagens naturais, desfiguradas por resíduos plásticos e roupas sintéticas que foram descartadas, perdem sua beleza e, consequentemente, seu apelo tanto para os moradores quanto para os turistas.

Em países que carecem de infraestrutura adequada para a gestão de resíduos, frequentemente encontramos pessoas em situação de vulnerabilidade que coletam o lixo para revendê-lo, em condições sociais e sanitárias precárias. A importação de resíduos por outras regiões do mundo agrava ainda mais essa pressão, levando à acumulação local e gerando consequências sociais, sanitárias e ambientais significativas.

A poluição por plástico afeta ecossistemas, espécies de animais, economias locais e direitos fundamentais, tornando-se uma representação marcante da crise global tripla: as mudanças climáticas, a perda de biodiversidade e a poluição da água, do solo e do ar.

Um tratado internacional para acabar com a Poluição por Plástico

Diante do desafio global que é poluição por plástico, a comunidade internacional tem dado sua resposta. Em 2 de março de 2022, a Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente adotou uma resolução histórica que estabeleceu um Comitê Intergovernamental de Negociação (CIN), composto por quase 170 países. Esse comitê tem a missão de elaborar um tratado juridicamente vinculante para pôr fim à poluição por plástico.

Esse tratado em negociação definirá medidas para reduzir a poluição, atuando em todas as etapas: desde a produção de plásticos – incluindo a fabricação de polímeros, a racionalização de materiais, a busca por alternativas e um design sustentável de produtos – até a gestão do pós-consumo, que abrange sua redução, reutilização, reciclagem e um manejo adequado ambientalmente de resíduos não recicláveis.

Espera-se também que o tratado inclua disposições específicas para garantir sua implementação efetiva. Tratará do financiamento destinado ao combate à poluição por plástico, de mecanismos concretos de cooperação internacional, da transferência de tecnologia, do intercâmbio de informações e dos processos de avaliação.

Em última instância, contudo, o êxito desse tratado dependerá de sua ratificação por cada país signatário representado no comitê de negociação.